PASTORAL FÉ E POLÍTICA

Arquidiocese de São Paulo

ptarzh-CNenfrdehiitjarues

Temos 62 visitantes e Nenhum membro online

Erradicar a Pobreza

O recente aumento da tarifa de ônibus na cidade de São Paulo, o aumento no preço dos alimentos, a inflação em alta geram expectativas negativas e revisão no orçamento doméstico. A economia determina a vida das pessoas. Este fato está sempre presente, mas muitas vezes o ignoramos. Pessoas satisfeitas com o salário que recebem ou com o valor da aposentadoria vivem melhor.

A economia de uma país segue um sistema de regras muito mais amplo do que a possibilidade de decisão de cada pessoa, mas cada um de nós depende, vitalmente, destas regras. O mundo da economia é controlado por grandes grupos econômicos que decidem sobre o destino do dinheiro, tendo em vista apenas o máximo lucro. Estes grupos tomam decisões econômicas que afetam nossa vida e muitas vezes estão fora do controle do governo brasileiro. Um país soberano, por meio de sua política econômica, deve se contrapor a estas regras, tendo em vista o bem do seu povo. Um dos principais objetivos do Governo Dilma é o fim da pobreza extrema, na qual ainda vivem cerca de 30 milhões de brasileiros.

Comprometer–se a eliminar a miséria do país, isto é, a criar condições para que milhões de brasileiros possam ter alimento suficiente para três refeições diárias, durante os trinta dias do mês, é decisão política que favorece a economia do país. Quanto mais rapidamente estas pessoas que, hoje, são destinadas a viver com dois reais por dia, tiverem dinheiro suficiente para se alimentar e comprar os bens a que tem direito e dos quais necessitam, maior será a produção de bens e serviços e mais empregos estarão à disposição da população.

O país, desta forma, terá instalado um círculo virtuoso de crescimento econômico, e a população será mais exigente com o atendimento na educação, na saúde, transporte e saneamento. É o consumo de produtos e bens, feito por aqueles que conseguiram um mínimo de renda pessoal, seja devido ao aumento do salário mínimo acima da inflação, seja pelos benefícios de prestação continuada ou pelo bolsa família, que vem sustentando a economia do país neste período de crise econômica nos países desenvolvidos.

Combater a miséria e a pobreza é decisão ética, evangélica, que a sociedade tomou ao eleger a presidente Dilma Roussef. A decisão política de não mais permitir que brasileiros, principalmente mulheres e crianças, vivam em condições desumanas, é também uma decisão econômica que permitirá a entrada no mercado de consumo de milhões de pessoas, aumentando a necessidade de mais empregos.

Qual o volume de dinheiro que o país precisa para tirar da miséria e da pobreza estas trinta milhões de pessoas? Quais os serviços a serem mobilizados para se atingir esse objetivo? Para planejar a meta política de combate à miséria a presidente reuniu, no dia 06 próximo passado, 12 ministros que devem se responsabilizar em conjunto por esta imensa tarefa.

pobreza-01O grupo de trabalho estará sob a coordenação da ministra Tereza Campello, do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. "Erradicar a pobreza é objetivo central. Isso é crível, é possível e vai ser conquistado", disse Tereza em seu discurso de posse. Lembrou Betinho, que em 1993, ao lançar a campanha Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, afirmava: quem tem fome, tem pressa. Tereza prometeu organizar metas, apresentá-las à sociedade e aos parceiros, entre eles os governos estaduais e municipais.

De acordo com a ministra, "não se pode combater a pobreza somente com políticas de transferência de renda, por isso será traçada uma agenda de inclusão social e produtiva, e de ampliação das redes de serviços públicos, saneamento, educação e qualificação profissional". Ana Fonseca, responsável pela criação do Bolsa Família, em 2004, será a secretária executiva do novo programa.
Mas, ao mesmo tempo em que luta contra a miséria é preciso que o país sustente o desenvolvimento, distribuindo renda e sem prejudicar o meio ambiente.

Para isso, outras medidas político–econômicas urgentes devem ser exigidas da presidente Dilma e dos parlamentares que tomam posse em fevereiro, com salários aumentados em 62% acima da inflação.

Em 2002, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou o mutirão de combate à fome e a miséria. Na época, expondo o projeto, alguém falou: Deus é arroz: a não ser que compartilhemos arroz com todos os seres humanos, não haverá paz. Que Deus nos ouça e abençoe o esforço da sociedade e do governo para erradicar de nosso país o estigma da miséria.



FONTE: Artigo escrito por Carmen Cecília de Souza Amaral especialmente para o Programa Eleições em Notícias do dia 12/01/2011 (Rádio 9 de Julho AM 1.600 KHz - São Paulo/SP). Este artigo nos foi enviado diretamente pela autora e sua reprodução é autorizada pela Rádio 9 de Julho.

Caci Amaral

Caci Amaral
Carmem Cecília de Souza Amaral é coordenadora da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo, sendo também integrante da Rede Nossa São Paulo e do Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE/SP). Para falar com Caci Amaral, utilize nosso formulário de contato.