
Os magos ao chegarem ao menino
têm mirra a oferecer, pois ele é humano,
tão frágil, indefeso, pequenino,
mas têm também o incenso: sem engano,
enxergam no neném todo o divino.

Meu sonho é muito mais do que um sonhar:
a terra então será à luz do céu!
À sombra de meu sopro há de brotar
a luz que não se ofusca a nenhum véu,
o amor que é plenitude em seu amar.

Tão claro no sorriso e na firmeza,
seus gestos continuam atuais.
Tão denso na acolhida e na presteza,
enxerga nos pequenos seus iguais
e serve o injustiçado em sua mesa.

O tempo está maduro, Filho meu.
Te quero entre os humanos, como Irmão.
Serás no mundo a luz que amanheceu,
serás meu rosto pleno, meu perdão,
a paz, o amor, a mão que o socorreu.

Bem mais que celulares e carrões,
queremos pão na mesa e bom sorriso.
Ignóbeis do Planalto as intenções.
Vai pôr um povo inteiro seco e liso,
sugando-lhe o suor e as reações?

O Império quer de fato o seu sustento,
nem olha o chão da vida dos pequenos.
Eu tenho de cuidar deste rebento
que Deus me confiou, não fez por menos.
E agora? Esse decreto truculento...

Quem é que poderia imaginar
a vida vir brotar nesta distância?
Ah! temos salvação, vamos louvar!
O amor vem visitar-nos como infância,
gostando das canções que o vão ninar!

Estando pra nascer o meu menino,
tivemos de fazer a tal viagem....
Se pobre tem recurso pequenino,
lhe sobram confiança, luz, coragem,
sustento que só pode ser divino.

Neném não faz escolhas pra nascer,
mas Deus mantém-se vivo em seu olhar
e sabe o que fazer e onde fazer,
e sabe convocar e sustentar,
e sabe confiar e socorrer

Um áudio publicado por Márcia Mathias de Castro sobre os TCCs da EFP Waldemar Rossi em 2016. Clique em "play" para ouvir: