Nasceu o bom senhor dos mil talentos.
Confia em cada servo: ser fecundo!
Que enxerguem a si mesmos, bem isentos,
e atentos. Cada qual faça segundo
aquele que é o melhor dos seus alentos.
Partilha, nesta vida, é o principal.
É assim que o mundo irmão vai, neste mundo,
firmando suas raízes, no quintal.
Que cada um procure, lá no fundo
de si, o que Deus sonha ver real.
De paz e bem que rendam nossos centos!
Podemos alegrar-nos? É Natal!
J. Thomaz Filho
Nasceu o bom senhor dos mil talentos.
Confia em cada servo: ser fecundo!
Que enxerguem a si mesmos, bem isentos,
e atentos. Cada qual faça segundo
aquele que é o melhor dos seus alentos.
Partilha, nesta vida, é o principal.
É assim que o mundo irmão vai, neste mundo,
firmando suas raízes, no quintal.
Que cada um procure, lá no fundo
de si, o que Deus sonha ver real.
De paz e bem que rendam nossos centos!
Podemos alegrar-nos? É Natal!
J. Thomaz Filho
Nasceu nosso porteiro prestativo,
que quer nos alertar sobre o perigo.
A festa que prepara é um lenitivo:
lugar tem para todos, bom abrigo!
Mas tudo nesta vida tem seu crivo...
O bem supõe suor, empenho e tal.
A paz do mundo irmão é um grão de trigo,
que dá sua própria vida, que é leal.
É claro que não quer nenhum castigo,
mas ser acomodado é desleal...
Às cinco desleixadas, decisivo:
“Podemos alegrar-nos? É Natal!”
J. Thomaz Filho
Nasceu o bom pastor, das cem ovelhas,
que vai fazer pergunta bem ousada,
que vai trazer do céu claras centelhas.
Justiça é preferir a desgarrada!
Ouvi-lo vai doer-nos as orelhas...
É assim esse pastor, sempre leal,
pois tem o mundo irmão como jornada.
À vida, ao bom serviço dá o aval,
enxerga mais que a lei, sempre algemada,
derruba os muros todos do quintal.
E tu, será que a ele te assemelhas?
Podemos alegrar-nos? É Natal!
J. Thomaz Filho
Nasceu o tal patrão bem surpreendente,
que sai a contratar em todo horário,
pois quer na sua vinha toda a gente,
pois prima na partilha do salário
e ensina que justiça é ser clemente.
É claro, o mundo irmão é seu fanal,
aponta-lhe bem claro o itinerário.
Não cai no que chamamos de normal:
o mérito, o suor bem mercenário,
as tramas do mercado, o tom legal...
Se o céu lhe dita o rumo, é coerente.
Podemos alegrar-nos: é Natal!
J. Thomaz Filho
Nasceu o cuidador da plantação,
que tem semente boa para a terra.
Mas quando a desavença de outra mão
também semeia o joio, em pé de guerra,
não custa ponderar a situação.
Em vez de raiva tanta por rival,
seu gosto é pela vida, não emperra.
O olhar do mundo irmão, jamais banal,
não queima, não arranca, não enterra...
“O joio há de ser trigo!” – que ideal!
Se somos esse empenho, há razão:
podemos alegrar-nos! É Natal!
J. Thomaz Filho
Nasceu o semeador de todo o chão.
Sem medo do terreno, até perverso,
pois, vindo semear o mundo irmão,
não há de se espantar com o diverso,
nem há de sonegar o seu perdão.
Nem pedras que se juntam no quintal,
nem chão que nunca inspira alegre verso,
nem moita de espinheiro tão rival
cancelam-lhe a esperança do universo,
porque o semeador supera o mal.
O céu está com ele! Com razão,
podemos alegrar-nos: é Natal!
J. Thomaz Filho
Dá tempo, ainda dá tempo, povo meu.
Às teclas, por favor, não erre o dedo!
Consulte o coração, lá dentro, o seu,
mas deixe Deus falar, relendo o enredo
de cada um: como é que ele se deu?
Permita alguma luz no grande escuro.
Escute a voz de Deus, não tenha medo
do medo que pintaram no seu muro,
distinga o caramelo do torpedo,
não suje, pros que vêm, todo o futuro.
Reveja os sentimentos, note o breu...
Pra bem da humanidade, o que é seguro?
J. Thomaz Filho
Depois de vida inteira dedicada,
me põem aqui num canto, pra morrer.
Decidem que findou minha jornada.
Sim, cuidam do meu físico... sem ver
que o chão da convivência é minha estrada.
Um morro à minha frente e algum jardim...
Comida em mesa farta... mas sem ter
alguém pra partilhar o quanto em mim
ainda é lucidez e bem-querer...
De fato, é pra esperar somente o fim.
Se for como Deus quer, não digo nada...
(Não dói notar alguém sentindo assim?...)
J. Thomaz Filho
Como é que pode o mundo ser das dores?
A Mãe, tal qual o Filho, não explica.
Porém, também não finge que são flores,
nem foge de quem chora ou se complica:
vai lá, estende a mão, tece valores.
Não pede explicação, mas sabe agir,
e vai a quem precisa e comunica,
por gestos e atitudes, que servir,
cuidar e partilhar identifica
quem sabe olhar pro céu e concluir:
Se o mundo está repleto de clamores,
o céu conta conosco pra intervir.
J. Thomaz Filho