PASTORAL FÉ E POLÍTICA

Arquidiocese de São Paulo

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J. Thomaz Filho

Natal 2020 2/9 - Quero Entrar

Pondere. Deus também tem o seu sonho.
Será que o sonho dele vale a pena?
Parece um tanto estranho... Se me oponho,
como é que lá da gruta Ele me acena?
Não vejo, não enxergo... Que medonho!

Porém, se me revejo, quero entrar.
Olhando lá pra dentro, vejo a cena:
neném, José e Maria... Vou cantar?
Talvez, ouvir primeiro... Me apequena
ver tudo tão precário nesse lar?

Mas é de uma riqueza!... Me envergonho
ao ver o amor ali: tudo é cuidar!...

J. Thomaz Filho

Natal 2020 1/9 - Pondere

O povo dividido desse jeito...
Será que sabe olhar pra manjedoura?
Perguntas... Perguntar não é direito?
Pois é! Quem quer a paz bem duradoura,
não tem de mexer fundo, lá no peito?

O ódio, a intransigência, a voz que fere...
Tão prática de usar essa tesoura!...
Porém, esse neném... Quem não confere
desvia toda a chuva da lavoura,
achando que isso é bom... Ah! considere!

Pondere, meu irmão, sem preconceito.
Pondere! Vale a pena?... Não se altere...

J. Thomaz Filho

O MESMO SANGUE

Quem faz o teu olhar assim cruel?
Que ar que tu respiras para tanto?
A cor da minha pele me faz réu?
Quem foi que decretou tamanho espanto?
Por que sempre me empurras para o fel?

Eu tenho o mesmo sangue em minhas veias,
trabalho o meu suor por todo o canto,
construo este País com as mãos cheias
de empenho, de cuidado e zelo santo...
São vis os preconceitos que semeias.

Não posso acreditar que crês no céu,
se buscas proscrever-me das aldeias.

J. Thomaz Filho

Não sou devoto

Você que se recusa a dar seu voto,
você só está dizendo a quem votar:
“Não quero ter controle, nem remoto,
prefiro ver você me comandar.
Confio. De você eu sou devoto!”

Você é quem decide... Mas, por mim,
não abro mão da mente, de um olhar,
do gosto de plantar um bom jardim,
que faça bem a mim e a tanto lar.
Não abro, pois insisto até o fim.

Não choro, se derrotam o que adoto.
Eu choro é por País chorando assim!...

J. Thomaz Filho

NO VERBO CRER

Quem tem essa saudade pra encarar
e entende que precisa de um suporte
por certo que em sua prece vai firmar
primeiro a gratidão e vai ser forte,
capaz de levantar-se, caminhar.

Quem tem essa saudade vai querer
clareza pra manter o rumo norte:
sabendo não ser fácil compreender,
desprende-se do jogo azar e sorte
e põe os pés no chão pra amanhecer.

Quem tem essa saudade vai cantar
canções que têm raiz no verbo crer!

J. Thomaz Filho

VOCÊ NÃO É O PASSADO

Você não é o passado, já selado.
Você é permanência em minha vida.
Você não é saudade, antigo agrado.
Você é luz que aclara a minha lida.
Você é paz, é bem, é o bom recado.

Você é ombro amigo na jornada.
Você é voz que acalma, não revida.
Você é doação, não cobra nada.
Você é o bom aceno na saída.
Você é o bom abraço na chegada.

Você é a minha espera do outro lado.
Você, minha canção: a mais tocada!

J. Thomaz Filho 

MEXIDA TÃO DENSA

Adilza, do seu lado o tempo é nada.
Aqui, porém eu conto: faz um ano!
aqui, vou prosseguindo minha estrada.
Aí, você já está no sem engano,
que é a fonte e a foz de toda esta jornada.

Pois é, já faz um ano de mexida
tão densa!... Que clareza nesse plano
do Pai: eternidade é sua guarida!...
Mexida que não causa nenhum dano,
mas faz-me reciclar-me em minha lida.

Adilza, também quero essa morada!
Por ora, há lições nesta avenida...

J. Thomaz Filho

O JOVEM DE ASSIS

Lembrar daquele jovem, lá de Assis,
é como descruzar os próprios braços.
Não dá para sorrir e ser feliz,
deixando como está: tudo aos pedaços!
O jeito de ele ser não contradiz?

Riquezas? Não brigou por elas, não!
Pessoas, animais, grandes espaços?
Jamais foi de agredir, se fez irmão!
Pros ódios e doenças trouxe abraços.
Moeda que ele usou? Sempre o perdão.

O mundo está sem rumo, por um triz?
Pois ele tem serena solução!

J. Thomaz Filho

O JOVEM DE ASSIS

Lembrar daquele jovem, lá de Assis,
é como descruzar os próprios braços.
Não dá para sorrir e ser feliz,
deixando como está: tudo aos pedaços!
O jeito de ele ser não contradiz?

Riquezas? Não brigou por elas, não!
Pessoas, animais, grandes espaços?
Jamais foi de agredir, se fez irmão!
Pros ódios e doenças trouxe abraços.
Moeda que ele usou? Sempre o perdão.

O mundo está sem rumo, por um triz?
Pois ele tem serena solução!

J. Thomaz Filho

OS MANSOS TERÃO A TERRA

A Terra, nossa casa e bem comum,
precisa de respeito e de cuidado.
É claro que ela nutre a cada um
– é só olhar pra trás! – com sumo agrado.
Voltemos. Entendamos. Medo algum!

É como o nosso corpo: quer descanso.
Tornar seu chão assim, esburacado,
os troncos recortados, sem remanso,
é mesmo um panicídio bem tramado,
que a tudo vai ceifar, com seu avanço!

Dá tempo! Restaurar!... Prazo? Nenhum!
Só dá pra festejar de olhar mais manso!...

J. Thomaz Filho

J. Thomaz Filho

J. Thomaz Filho
J. Thomaz Filho é escritor, poeta, compositor e também letrista, parceiro de Frei Fabreti em dezenas de músicas litúrgicas, entre elas "Imaculada", "O Amor de Deus", "Grande é o Senhor", "Cantando a Beleza da Vida", "Venham Comigo" e "Vejam". Atuou por mais de dez anos no Colégio Santa Catarina (Petrópolis/RJ) lecionando ética. Trabalha junto a grupos de reflexão bíblica e formação cristã. Foi agraciado com o prêmio "Poesia e Liberdade" pelo Centro Alceu Amoroso Lima (2010). Para falar com J. Thomaz Filho, utilize nosso formulário de contato.