Após as restrições da quarentena,
que os braços não se cruzem, de felizes!
Se a nossa gratidão fizer novena,
que seja pra firmar novas raízes,
com lida consistente, densa, plena.
Sem isto, foi inútil a lição...
O vírus nos quis pôr como aprendizes
de um novo conviver, de pés no chão,
bem justo, solidário em meio às crises,
sem essa Economia da Opressão!
Se os tais do capital querem a cena,
a paz nos pede humano mutirão!
J. Thomaz Filho
Os que sobrevivermos ao cuidado
teremos densa lida pela frente:
mexermos no perfil globalizado
do nosso social tão inclemente,
de modo a remoldá-lo humanizado!
Que pese a nossa força coletiva!
A mão do capital já se ressente
e grita pra nos ter na comitiva...
Um novo ordenamento é mais que urgente,
com foco, com voz firme e decisiva!
Que a vida seja o centro, que o mercado
não sugue, apenas sirva a gente viva!
J. Thomaz Filho
Adilza, veja só quanta ironia:
não dá para abraçá-la, por enquanto...
O abraço!... Bela prova de harmonia!...
Agora, proibido em todo canto:
um vírus decretou essa agonia.
E pôs em quarentena todo o mundo.
Há lares visitados pelo pranto,
há sérias restrições... Cada segundo
nos pede mais cuidado do que espanto,
exige-nos olhar bem mais profundo.
Ah!... Sermos solidários é a ousadia!
Um grito que nos vem de lá do fundo!
J. Thomaz Filho
As vozes que alertavam tano e tanto,
e os fatos que clamavam, numerosos...
O lixo em rios e mar, calor de espanto,
o ar mudado em gases venenosos,
geleiras desnudando-se, sem manto...
E agora, um ser minúsculo, atrevido,
visando das crianças aos idosos,
mais ágil que o descaso empedernido,
nem liga pra chacota dos garbosos,
e diz que vem por tempo indefinido...
O mundo em quarentena, cisma, pranto...
Cuidemos uns dos outros!... É o sentido!
J. Thomaz Filho
Um vírus põe o mundo inteiro em greve.
E tudo, sem piquete, vai parando...
A deusa Economia a que se atreve?
Sutil, nessa trincheira do "até quando?",
prepara um novo bote para breve?
A caixa de alfinetes tendo à mão,
espeta o mapa-múndi, maquinando
por onde irá sugar, e sem perdão,
as somas que perdeu seu cego bando,
que a todos faz reféns da espoliação?
A vida, no silêncio, sério escreve...
Quem é que aprende a ler essa lição?
J. Thomaz Filho
Adilza, dê um alô pra São José.
Eu sei, vocês não usam calendário,
mas eu, aqui no chão, prossigo a pé,
medindo as estações com dia, horário
e clima, que requerem luz e fé.
E diga-lhe: lembrá-lo me faz bem.
Porque não tiro os pés do itinerário,
olhando sua Maria e seu neném,
que cresce e é nosso Mestre necessário,
que vem, e se faz Pão e enxerga além!
E espere aí por mim, pois sei que é,
também o tempo, bênção que nos vem!
J. Thomaz Filho

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